You-gotta-do-what-you-gotta-do

A frase do título aparece em um cartaz no episódio piloto de Futurama. Em seu significado original, a expressão afirma que um homem deve fazer o certo, mesmo que isso seja difícil e doloroso. Pelo humor, o entendimento foi distorcido para algo como “você deve fazer o que foi estabelecido que você faça.”

Fry, personagem principal do desenho, é entregador de pizzas em NY. Em janeiro de 2001, acabou sendo criogenizado por acidente. Mil anos depois, é descongelado e descobre que tem uma segunda chance.

No futuro, todo mundo é analisado por um computador para descobrir qual seria a profissão mais adequada a esta pessoa. Em seguida é implantado um chip de carreira em sua mão e essa será sua profissão, para sempre.

Finalmente ele deixará de ser entregador. Só que não. A conclusão do sistema é que Fry deve ser entregador. De novo.

Futurama torna o futuro caricato para fazer piada sobre o presente. No meio do surrealismo de 2999, temos os mesmos problemas e as mesmas soluções do século 21.

Na sociedade “moderna”, existe um padrão pré concebido do que se espera das pessoas. Uma definição do que é sucesso e que caminho você deve percorrer.

Nossa sociedade determina inclusive que curso na faculdade você deveria ou não fazer. Existem as profissões que “dão dinheiro” e as que não dão. E, mais perigoso ainda, uma correlação entre este “sucesso” e a felicidade.

A instituição escola foi criada e estruturada para criar peões de fábrica. Nos tempos atuais, pra criar executivos. Não que seja errado seguir carreira de um jeito ou de outro. O que não faz sentido é esta imposição em massa.

O que a regra subliminar diz é: “não seja criativo, não mude o status quo”.

Em uma entrevista em 1995, ao tentar explicar sua visão do mundo, Steve Jobs explica isso de forma tão simples que chega ser difícil aceitar:

Quando você cresce, te dizem que o mundo é do jeito que é, que a vida deve ser vivida dentro do mundo. Tente não bater demais nos muros, tente ter uma boa vida familiar, poupe dinheiro, divirta-se. Isso é uma vida muito limitada. A vida pode ser muito mais ampla. Quando você descobre o simples fato de que tudo a sua volta, que você chama de vida, foi criado por pessoas não mais inteligentes do que você, e você pode mudá-la, influenciá-la, pode construir suas próprias coisas, que outras pessoas também poderão usar. O minuto que você entender que você pode cutucar a vida e realmente algo vai, você sabe, se você empurrar, algo vai sair do outro lado, que você pode mudá-lo, você pode moldá-lo. Essa é talvez a coisa mais importante. É para sacudir essa noção errônea de que a vida está aí e você só vai viver nela, contra abraçá-la, alterá-la, melhorá-la, deixar a sua marca em cima dela. Eu acho que é muito importante, no entanto, quando você aprende isso, uma vez que você aprende isso, você vai querer mudar a vida e torná-la melhor, porque ela é meio bagunçada, de várias maneiras. Uma vez que você aprende isso, você nunca mais será o mesmo.

O ser humano é um maker por definição. É o que melhor nos diferencia dos outros animais. Criar, adaptar, evoluir.

Criar soluções está mais mais factível para todos, não apenas os mais seniores. Estamos todos interligados, existem muitas formas de conseguir suporte, apoio, financiamento, conhecimento, informação, tecnologia, serviços, etc.

Você pode quebrar esse ciclo se acreditar que pode fazer mais. E não precisa ser uma ruptura. Você não precisa largar o emprego atual para aprender algo novo, para ter ideias, para tentar colocá-las em prática. Antes de ler algum artigo sobre as regras do empreendedorismo, lembre-se que elas podem ter sido criadas por alguém não mais inteligente do que você.

Termino fazendo uma provocação. Imagine (de verdade, faça um esforço) que existe uma máquina do tempo e ela te manda de volta a 1994. A internet está nascendo ainda, mas você já sabe de tudo. Você faria algo diferente? Mudaria algo na sua carreira, faria algum curso? Investiria em algum negócio novo?

Antes de ir em frente. Pense de verdade.

Agora volte para o presente. A máquina do tempo não existe (ainda?). Mas o movimento Makers faz sentido pra você? Você acredita? Se a resposta é sim. Você está em um novo 1994.

O que você vai fazer?

Eu respondo: you gotta do what you gotta do.

Mas o que isso significa, você escolhe.

Ricardo Cavallini

Fundador do Makers Brasil.

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