Fabrica

Projeto com terreno de 46 mil metros quadrados ao lado da USP já é um fracasso antes mesmo de começar.

O parque tecnológico paulistano foi anunciando em 2002 e, 15 anos depois, já foi inaugurado mas não está pronto. Estimado em R$ 3 milhões já está custando R$ 15.

Tirando o triste padrão brasileiro do atraso, do orçamento multiplicado, de ter sido inaugurado e ainda não ter nenhuma empresa, o que mais me incomoda é esta visão viciada de acreditar que o futuro do Brasil está somente nas grandes empresas.

Além do fato das startups não patrocinarem campanhas, nossos políticos preferem salvar mil empregos hoje do que gerar 1 milhão amanhã.

Não que não seja importante salvar empregos, mas o problema de investir no velho é que a velocidade do crescimento é várias vezes menor (quando não é inexistente) e pouco sustentável. No primeiro sinal de crise, as grandes corporações demitem a rodo enquanto startups continuam contratando.

E esta visão vale para todas as esferas de governo (municipal, estadual, federal) e por todas as administrações, seja dos partidos chamados de direita ou de esquerda.

O parque tecnológico paulista é apenas mais um exemplo. Apesar de trágico, se tornou ridículo quando foi apelidado de Vale do Silício Paulistano.

Então ficamos assim, o Silicon Valley paulistano é feito para grandes empresas. Piada pronta.

Não é apenas uma questão de mostrar o sucesso das startups no resto do mundo, criando novas indústrias, novos empregos e uma nova economia. É também lembrar que a economia do Brasil é cauda longa.

Aqui, 52% dos empregos formais são em pequenas e médias empresas (PME). Contabilizando os informais, o montante passa para 85% dos empregos do Brasil.

Em 2017, no meio da maior crise da história do Brasil, enquanto as grandes empresas tiveram um saldo negativo de quase 27 mil empregos, as PME geraram cerca de 54 mil novos empregos de carteira assinada.

Estes números se tornam ainda mais assustadores em um país onde tudo joga contra. A burocracia em excesso, a falta de planejamento, a corrupção generalizada, uma educação deficiente e defasada, uma legislação restritiva, impostos em demasia e alta complexidade etc.

A última novidade veio da Receita Federal, regulamentando o investimento anjo definiu uma tributação de até 22,5% sobre os rendimentos devidos perante o aporte de capital.

Com tudo isso, a produção gerada pelas micro e pequenas empresas quadruplicou em dez anos. Hoje correspondem a 27% do PIB. Imagine se o governo parasse de atrapalhar. Imagine então se ele ajudasse.

Não esquecendo que fomentar a inovação e o empreendedorismo também é bom para as grandes corporações. Primeiro porque movimenta a economia, segundo que a necessidade de inovação é de todos. E não é novidade a quantidade e diversidade de investimentos que grandes empresas estão fazendo nas startups.

Fomentar o empreendedorismo é a maneira mais rápida para acelerar a economia, gerar empregos e, não menos importante, preparar o Brasil para o futuro.

Um futuro que já podia estar dando frutos no presente. Mas aqui no Brasil, o presente tem a mesma cara do passado.

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