Futurama

Você tem mais de 30 anos de idade? Se tem, provavelmente será o último a morrer em sua família.

Não. Não como no filme I Am Legend (Will Smith) onde todo mundo morreu (ou virou monstro) e só sobrou o personagem principal.

Com “o último a morrer” quero dizer que os mais novos (seus filhos, por exemplo) não morrerão mais. Pelo menos não por um bom tempo.

Em 1900, a expectativa de vida de um brasileiro era de 33 anos de idade. Atualmente, a expectativa de vida é de 74 anos. E 74 é a média do Brasil. Ignora, por exemplo, se você tem acesso a bons hospitais (diferente da maioria da população) e ignora também a evolução econômica que tivemos nas últimas duas décadas e que terão um impacto significativo no cálculo dessa média nos próximos anos.

Faça as contas. Considerando apenas o crescimento já esperado de expectativa de vida, crianças de 10 anos de idade devem viver, em média, de 90 a 100 anos. Ou seja, grandes chances dessas crianças chegarem no século seguinte.

E se levarmos em conta o grande avanço tecnológico exponencial da medicina? Perceba o quanto a medicina evoluiu nos últimos anos e pense no que será dela em 2105. Para ter uma referência, o desfibrilador foi inventado em 1947, menos de 70 anos atrás. A Penicilina (o primeiro antibiótico) em 1928 e usado pela primeira vez em um ser humano em 1941.

O guru bilionário Ray Kurzweil previu que em 2045 será possível fazer o download do nosso cérebro e upload em outro corpo.

Sim, existe um problema nesta previsão. Seria o mesmo que tentarmos fazer um download em um computador de uma nave extra-terrestre. Poderíamos até ter tecnologia para chegar até a nave, mas não teríamos a menor ideia de como funciona esse computador. Este argumento (nossa falta de conhecimento sobre o cérebro) é usado por alguns especialistas (entre eles o brasileiro Miguel Nicolelis) para refutar a ideia estapafúrdia de Kurzweil.

Porém, existem dois pontos a favor da credibilidade do bilionário. O primeiro é o seu histórico de previsões, todas estapafúrdias na época que foram feitas, mas com mais acertos do que erros. O segundo é que é muito comum que grandes especialistas em um assunto sejam extremamente pessimistas no exercício da futurologia em seus campos. Justamente por serem grandes conhecedores das dificuldades e complexidades dos temas que dominam é difícil ser otimista em qualquer previsão.

Mas esqueça Kurzweil, pense nas crianças. Ainda que não role o tal download do cérebro, as chances do avanço da medicina elevar a expectativa de vida para 130 ou 150 anos é enorme.

Então, não quero dizer que ninguém mais irá morrer, mas com uma expectativa de vida de 150 anos, será normal termos 5 gerações da mesma família vivas.

Difícil mesmo é conceber a bagunça do almoço de domingo de uma família italiana quando isso acontecer. Mas voltando ao ponto que interessa, se você tem mais de 30, talvez não faça parte disso.

Sabe aquela história de dizer que a vida é curta… Então, acabou de se tornar ainda mais curta ainda.

Então, além de ser o último a morrer, você também pode ser o primeiro a ser esquecido.

Deixar um legado e influenciar gerações será, pelo menos matematicamente falando, mais fácil para quem viver mais.

Mesmo com todo esse banho de água fria, ainda tem bastante tempo para você viver e, se achar necessário, mudar o rumo. Fazer o que acredita e, quem sabe, deixar um legado que seu filho(a) possa contar pelos próximos 150 anos.

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